Adaptação às
mudanças climáticas e o setor privado

Adaptação às mudanças climáticas: status desta agenda

Alterações no sistema climático global trouxeram impactos sobre sociedades e sistemas naturais em todos os continentes. É consenso que, mesmo que compromissos ambiciosos de mitigação sejam alcançados, será necessário se preparar para impactos que inevitavelmente ocorrerão nos próximos anos. A ação orientada para criar esse tipo de capacidade constitui o eixo de trabalho dedicado à adaptação.
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Contexto

Por que estamos falando de adaptação?

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Foto de Eileen McFall/Flickr
Alterações no sistema climático global, em maior ou menor grau, trouxeram impactos sobre sociedades e sistemas naturais em todos os continentes. Eventos extremos relacionados ao clima, como ondas de calor, secas, inundações e ciclones têm gerado prejuízos a infraestruturas, interrupção de serviços básicos, além de mortes e danos irreparáveis. Mas não são apenas eventos extremos que trazem impactos significativos. A alteração de padrões históricos de variáveis climáticas, como a redução de níveis de precipitação, pode igualmente comprometer diversas atividades econômicas e o próprio bem-estar das sociedades que se alicerçam em instrumentos de planejamento de longo prazo.

Enfrentando o problema das mudanças climáticas

De um lado, é preciso reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para limitar os impactos das mudanças climáticas. Isso ocorre por meio da reorganização dos sistemas produtivos, bem como dos incentivos que influenciam as decisões de consumo e investimento, que constituem o eixo de trabalho dedicado à mitigação.
Por outro lado, é consenso que, mesmo que compromissos ambiciosos de mitigação sejam alcançados no futuro próximo, será necessário se preparar para impactos que inevitavelmente ocorrerão nos próximos anos. Além disso, o Brasil já apresenta problemas de vulnerabilidade socioeconômica que são agravados pelos efeitos das mudanças climáticas.
A ação orientada para criar esse tipo de capacidade constitui o eixo de trabalho dedicado à adaptação. A adaptação às mudanças climáticas compreende o processo de ajustamento frente a estímulos climáticos, atuais ou esperados, e seus efeitos, a fim de moderar ou evitar danos ou, ainda, explorar oportunidades benéficas.

Uma agenda em que todos devem atuar

Dado que os impactos das mudanças climáticas manifestam-se nos mais diversos segmentos da economia e campos de políticas públicas, sem respeitar fronteiras sociais, setoriais ou geográficas, a adaptação requer esforços de um amplo conjunto de atores, incluindo órgãos multilaterais, governos, comunidades locais, cientistas, empresas, organizações da sociedade civil, entre outros.
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Foto de Steve Dorsey/Flickr
No âmbito internacional, a adaptação assumiu relevância a partir das demandas de países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares, dada sua maior vulnerabilidade aos efeitos da mudança do clima, passando a ser institucionalizada por meio de instâncias formais de discussão e mecanismos para financiamento de ações de adaptação.
Com o amadurecendo do tema, tanto no campo das negociações internacionais quanto na ciência, e da percepção de risco, governos nacionais e locais passaram pouco a pouco a desenvolver planos e estratégias para lidar especificamente com os efeitos das mudanças climáticas, sobretudo a fim de moderar ou evitar danos. Mais recentemente, esses efeitos despertaram no setor empresarial a necessidade de incorporar os perigos climáticos a sua gestão de risco, sendo que em muitos casos os objetivos envolvem também o aproveitamento de oportunidades.
Ainda que a incorporação da avaliação de riscos climáticos em estratégias empresariais e em instrumentos de políticas públicas mostre uma significativa evolução recente (veja a linha do tempo), são necessários mais esforços para plenamente integrar a adaptação às mudanças climáticas nas principais tomadas de decisão que ocorrem em diferentes escalas e setores.
A fim de disseminar essa prática entre as empresas brasileiras, são disponibilizados neste site materiais de apoio para inserção da adaptação em estratégias corporativas.

Evolução do tema

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O setor privado e a adaptação às mudanças climáticas

O setor empresarial possui grande potencial de contribuição para a agenda de adaptação: seja em um contexto mais amplo, para as agendas local, nacional e regional, aportando conhecimento e recursos, ou pelo desenvolvimento de suas próprias estratégias de adaptação.
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O setor privado e a adaptação às mudanças climáticas

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Foto de Ahmed Rabea/Flickr
Em geral, os custos das ações necessárias em resposta aos riscos das mudanças do clima são estimados como significativamente menores do que aqueles decorrentes da inação. De acordo com o estudo
“Economia da Mudança do Clima no Brasil: custos e oportunidades”
MARCOVICTH, 2010.
, estima-se que, sem mudanças no clima, o PIB brasileiro será de R$ 15,3 trilhões para um cenário pessimista em 2050 e de R$ 16 trilhões para um cenário otimista em 2050. Com o
impacto
Consequências sobre sistemas naturais ou humanos. (Adaptado do DECRETO Nº 6.263/ 2007 que institui o CIM)
das mudanças climáticas, estas estimativas reduzem-se em 0,5% e 2,3% respectivamente, o que significaria, atualmente, perdas entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões: equivalente a jogar fora pelo menos um ano inteiro de crescimento nos próximos 40 anos. Considerando que as mudanças climáticas já estão acontecendo, é essencial tanto pensar em medidas para auxiliar as pessoas a se adaptarem quanto investir em medidas de mitigação. Isso porque, quanto menos investimento houver em mitigação, maior será a dificuldade em continuar a se adaptar no
futuro
STERN. 2008.
.
Tratando-se da atuação das empresas no tema mudanças climáticas, atualmente as ações e os recursos empresariais são majoritariamente dedicados à redução e gestão das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Apesar de o setor empresarial ser um ator relativamente novo na agenda de adaptação, possui grande potencial de contribuição: seja em um contexto mais amplo, para as agendas local, nacional e regional, aportando conhecimento e recursos, ou pelo do desenvolvimento de suas próprias estratégias de adaptação, para gerenciar riscos e oportunidades aos negócios.

Contribuições do setor privado para a agenda de adaptação às mudanças climáticas

O setor empresarial tem um papel fundamental para promover o avanço da agenda de adaptação às mudanças climáticas junto ao governo e a sociedade civil.
Uma das formas é influenciar e tensionar positivamente para que seja incluída no planejamento e nas políticas públicas. Frágeis marcos regulatório e político estão entre os principais obstáculos para a atuação do setor privado em adaptação, sendo que 82% dos representantes do setor privado acreditam que políticas públicas tem “alta” ou “muito alta” importância para as habilidades das suas empresas adaptarem-se às mudanças do
clima
UN Global Compact, 2011.
.
Outra contribuição importante possível é o aporte de recursos financeiros, como por exemplo, a criação, pela indústria de seguros, de incentivos financeiros para o comportamento dos agentes. Entretanto, destaca-se em especial a contribuição do setor empresarial por meio do aporte de know-how, métodos e processos, que podem ser complementares aos adotados no setor público e viabilizar parcerias público-privadas a fim de potencializar ações e otimizar recursos nos planos de adaptação. Nesse sentido, destacam-se os seguintes caminhos em que a colaboração pode se dar:
  • Conhecimento sobre gestão de risco:
    Os exemplos apresentados nos boxes fazem parte do Estudo “Análise de Formatos e Modelos de Interação entre Governo e Setor Privado para Adaptação às Mudanças do Clima” (GVces, 2014).
    A deficiência de informação e dificuldade de acesso e implementação de tecnologias são barreiras significativas para o avanço dos esforços em adaptação. Nesse aspecto, representantes do setor privado podem contribuir provendo informações e conhecimento já sistematizados em seus processos operacionais, de avaliação e de gestão de riscos, como é o caso de algumas empresas do setor de mineração e seguros, que já estão investindo em avaliação de riscos e análise de alternativas de adaptação.
    Parcerias e serviços especializados
    Um exemplo internacional de serviço e potencial parceiro para obtenção de informações climáticas é a Riverside Technology, empresa que oferece apoio a organizações no levantamento, análise, gestão e disseminação de informação ambiental. Em regiões áridas e semi-áridas, como no Nordeste do Brasil, a empresa implementa tecnologias e métodos inovadores para apoiar na gestão dos recursos hídricos. Nesse processo a empresa envolve parceiros locais e comunidades no desenho e implementação do projeto. No Brasil, a Braskem levantou informações diretamente com o INPE, saiba mais.
  • Conhecimento de mercado: Parte dos recursos financeiros destinados a atividades de mitigação e adaptação não é aplicada dada a dificuldade de gestores proponentes formularem projetos voltados à adaptação. Nesse aspecto, as empresas do setor financeiro podem desempenhar um papel essencial no desenvolvimento de projetos de capacitação dos gestores, além de contribuir com conhecimento sobre estruturas de investimento público-privado, passando pela estruturação de portfólio de projetos em adaptação.
    Estudos e capacitação promovidos pela Rio Tinto
    O governo de Singapura promoveu, em junho de 2008, um concurso de tecnologias inovadoras capazes de reduzir o custo de conversão da água do mar em água potável, como parte do evento International Water Week. O prêmio foi para a Siemens pelo desenvolvimento do sistema SkyHydrant, um purificador portátil que trata a água por meio de um campo magnético. A empresa também criou a SkyJuice Foundation com o objetivo de garantir a utilização eficiente do sistema nos países em desenvolvimento e em áreas de desastres.
  • Desenvolvimento de soluções inovadoras: O setor privado já possui diversos conhecimentos e soluções desenvolvidos e incorporados a seus processos operacionais, os quais podem ser compartilhados para suprir algumas lacunas de conhecimento e tecnologia do setor público. Tal movimento também é benéfico para as empresas, uma vez que traz visibilidade junto a clientes, parceiros e sociedade.
    Fomento à inovação: governo de Singapura e Siemens
    O governo de Singapura promoveu, em junho de 2008, um concurso de tecnologias inovadoras capazes de reduzir o custo de conversão da água do mar em água potável, como parte do evento International Water Week. O prêmio foi para a Siemens pelo desenvolvimento do sistema SkyHydrant, um purificador portátil que trata a água por meio de um campo magnético. A empresa também criou a SkyJuice Foundation com o objetivo de garantir a utilização eficiente do sistema nos países em desenvolvimento e em áreas de desastres.
  • Bancos de dados: Grandes empresas e setores mais expostos a riscos e oportunidades, como as seguradoras, vêm investindo na geração de dados e informações. No que diz respeito à geração de conhecimento climático, a indústria de seguros assume uma posição de destaque em relação ao potencial de apoiar clientes e governos.
    A atuação da Swiss Re, setor de seguros
    A Swiss Re, empresa de resseguros, atua há 20 anos no estudo e desenvolvimento de produtos voltados aos riscos climáticos. A empresa vem promovendo parcerias com seguradoras locais, bancos, instituições de microfinanças, governos e organizações não governamentais para desenvolver e difundir soluções de transferência de riscos que contribuem para a superação de riscos e impactos aos quais os pequenos produtores dos países em desenvolvimento estão expostos. Exemplos são projetos dos quais faz parte na Etiópia, Índia e Mali.
Por fim, além do tensionamento positivo, do aporte de recursos financeiros, de know-how, dados, informações e soluções, é preciso considerar a capacidade de influência e de engajamento que o setor empresarial possui. Grandes empresas têm significativa influência em suas cadeias de valor, sendo capazes de guiar e estabelecer parcerias com pequenas e médias empresas para responder efetivamente aos riscos climáticos. Já o setor de seguros é potencial influenciador do engajamento de outros setores na agenda de adaptação, ao valorizar mecanismos de redução de riscos climáticos, ou mesmo requisitá-los para a assinatura de contratos de seguro. Ainda, o setor financeiro em geral e investidores podem ter grande relevância no fortalecimento da agenda ao sinalizarem o interesse por informações e planos de adaptação das empresas a fim de definirem e monitorarem seus investimentos.

Por que o setor privado deve elaborar suas estratégias de adaptação?

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Foto de Noël/Flickr
Além do relevante papel que o setor privado possui na agenda de adaptação, também é importante que as empresas desenvolvam suas próprias estratégias a partir da compreensão de quais os
riscos
Combinação da probabilidade de ocorrência de um evento e dos impactos ou consequências associadas a esse evento ((Willows, 2003), tradução livre).
(como interrupção das operações e limitação de recursos) e oportunidades (como a criação de novos mercados e exploração de recursos antes inviáveis) que os impactos das mudanças climáticas representam para os seus negócios.
Os impactos variam entre empresas e unidades de negócio, considerando sua gestão, localização e, principalmente, sua
capacidade adaptativa
A combinação de habilidades, atributos e recursos disponíveis para um indivíduo, comunidade, sociedade ou organização que pode ser usada para se preparar e agir
. Assim, uma alteração climática pode ser tanto a origem de perdas como de ganhos e, portanto, os modelos de negócio que responderem aos desafios impostos pelos riscos e às oportunidades serão mais
resilientes
Resiliência é a habilidade de um sistema e suas partes componentes de antecipar, absorver, acomodar ou se recuperar dos efeitos de um evento de risco de maneira tempestiva e eficiente, garantindo a preservação, restauração ou melhoria de suas estruturas básicas e funções essenciais ((IPCC SREX, 2007), tradução livre).
às mudanças do clima e poderão até ganhar competitividade em um ambiente de maior instabilidade.
Além disso, o desenvolvimento de uma estratégia corporativa de adaptação também pode contribuir para o bom desempenho da empresa num contexto de maior pressão social por produtos alinhados com boas práticas ambientais e sociais e stakeholders exercendo uma maior pressão sobre a transparência de informações relacionadas aos riscos climáticos.
O primeiro passo é promover a conscientização por parte das lideranças empresariais a respeito da
vulnerabilidade
Grau de suscetibilidade e incapacidade de um sistema para lidar com os efeitos adversos ((Adaptado de PNMC, inciso X, do artigo 2º (BRASIL, 2007)).
, fontes de resiliência e capacidade adaptativa de seus negócios e, assim, dos potenciais impactos diretos e indiretos. O passo seguinte é diagnosticar, qualificar e/ou mensurar os riscos, oportunidades, e potenciais impactos, avaliar ações adaptativas, elaborar um plano de adaptação a ser implementado, monitorado e reportado.
A gestão dos riscos climáticos deve estar incorporada à gestão de risco global da empresa, incluindo a visão para a cadeia de valor. Quanto mais stakeholders (fornecedores, clientes, entre outros) estiverem envolvidos, mais robusta será a estratégia de adaptação, com maior geração de co-benefícios e parcerias de “ganha-ganha”. Neste contexto, alguns atores são bastante relevantes, como por exemplo, instituições de pesquisa que disponibilizam e tratam os dados de cenários climáticos, e governos, em especial os locais, que podem contribuir com informações e estabelecer parcerias com a empresa para investimentos e implementação do plano de adaptação.
Considerando a importância da articulação com demais organizações no desenvolvimento de projetos em adaptação, as empresas brasileiras têm buscado estabelecer parcerias para a realização de parte ou da totalidade das iniciativas, junto a atores como comunidades vulneráveis, ONGs, associações comunitárias, empresas públicas, organizações privadas e órgãos do
governo
IPEA, 2010.
. Essas parcerias significam compartilhar compromissos, objetivos, responsabilidades e trocar conhecimento e experiências.
Apesar de se saber que incluir as variáveis climáticas na gestão operacional e estratégica ainda é um desafio por diversas razões (da falta de conhecimento técnico à falta de clareza, por parte dos gestores, em relação aos impactos diretos e indiretos ao negócio), adaptação às mudanças climáticas ganha força pelo viés da oportunidade: de que as empresas preparadas com informações confiáveis e ferramentas possam tornar suas operações mais resilientes, transformando riscos em oportunidades de inovação e de novos negócios.

Motivação

  • Identificação de oportunidades e riscos
  • Engajamento do setor público e ambiente regulatório, político e econômico
  • Atuação em adaptação por outras empresas do setor
  • Demanda por diclosure e performance
  • Impactos presentes
  • Relação entre os cenários climáticos e os novos projetos e investimentos
  • Reconhecimento da alta gestão
  • Saiba mais

Barreiras

  • Lacuna de conhecimentos e informação
  • Capacidade interna para levantamento e análise das informações
  • Integração de informações climáticas a processos, métodos e sistemas consolidados
  • Desconexão entre linguagens científica e empresarial
  • Dificuldade de envolvimento da alta gestão
  • Longo prazo das medidas de adaptação
  • Complexidade de articulação em torno dos projetos de adaptação
  • Dificuldade em comunicar ações em adaptação e seus resultados
  • Indisponibilidade de recursos para a atuação na agenda
  • Saiba mais

Motivação

Barreiras

Motivações

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Foto de Eden Brackstone/Flickr

Identificação de oportunidades e riscos

Conhecer os riscos é o primeiro passo para mitiga-los ou evita-los, reduzindo a vulnerabilidade e perdas futuras. A noção de que as mudanças do clima e a ação frente a elas pode, também, trazer benefícios para o negócio é forte motivador.

Engajamento do setor público e ambiente regulatório, político e econômico

O aumento do nível de engajamento, nacional e internacional, do setor público no tema adaptação e a coerência entre os compromissos e planos assumidos pelos governos representam estímulo à construção de uma agenda de adaptação.

Atuação em adaptação por outras empresas do setor

O fato de outras empresas do mesmo setor estarem elaborando suas agendas e investindo para adaptarem-se confere relevância ao tema que passa a estar no radar da empresa como possível elemento de competitividade.

Demanda por diclosure e performance

A demanda de conselhos e investidores por informações sobre o monitoramento e a gestão de riscos climáticos, a entrada do tema em mecanismos de reporte e transparência (como
ISE
Índice de Sustentabilidade Empresarial, da BM&F Bovespa, desenhado pelo GVces.
e
CDP
Carbon Disclosure Program, que possui um sistema de relato de dados climáticos acessado por investidores, empresas e governos.
. ), além dos potenciais ganhos mercadológicos motivam as empresas a elaborarem suas estratégias de adaptação.

Impactos presentes

Eventos climáticos já impactam os negócios, física, financeira, reputacional, mercadologicamente. Escassez de água e aumento no preço da energia, por exemplo, acarretam riscos e perdas. Ao associar esses impactos com o clima, as empresas têm uma razão concreta para entrar na agenda e argumentos contundentes para convencer as equipes e a liderança.

Relação entre os cenários climáticos e os novos projetos e investimentos

A compreensão de que as tendências futuras para o clima podem mudar os contextos assumidos no planejamento estratégico da empresa e, assim, para a tomada de decisão é uma razão para que as variáveis climáticas sejam somadas a esse processo.

Reconhecimento da alta gestão

O reconhecimento da importância de atuação em adaptação por parte da alta gestão levaa agenda a subir na escala de prioridades e as diferentes áreas a incluir as atividades relacionadas ao projeto em seus planejamentos.

Barreiras

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Foto de Ivo Castro Jr1/Flickr

Lacuna de conhecimentos e informação

A agenda de adaptação ainda não foi amplamente incorporada no setor empresarial, por isso, em geral, não há o monitoramento de impactos oriundos das mudanças climáticas, tão pouco o conhecimento técnico necessário para a análise de dados climáticos. A lacuna de informações a partir de cenários climáticos com o recorte geográfico e horizonte temporal aderente ao negócio também é um dificultador.

Capacidade interna para levantamento e análise das informações

Há grande lacuna em capacitação de profissionais do setor privado para o levantamento e análise de informações sobre cenários climáticos, o que é fundamental para a condução de avaliação de riscos de longo prazo.

Integração de informações climáticas a processos, métodos e sistemas consolidados

As empresas possuem processos de planejamento e decisório consolidados e integrados aos demais processos e rotinas. A inserção de variáveis e análises climáticas nem sempre é simples, pode exigir adaptação de sistemas de informação, por exemplo.

Desconexão entre linguagens científica e empresarial

Além do desafio de acessar e interprestar as informações que concernem ao escopo de interesse da empresa, a desconexão entre as linguagens científica e empresarial também é uma barreira.

Dificuldade de envolvimento da alta gestão

Ainda é incomum o reconhecimento do tema de adaptação pela alta gestão como estratégico e portanto seu engajamento e apoio. Geralmente, as questões de adaptação ganham materialidade para a alta gestão quando ocorre um evento climático que afete o negócio de alguma forma drástica, nesse caso como resposta ao impacto e, muitas vezes, de forma deslocada das agendas de mitigação.

Longo prazo das medidas de adaptação

Muitas medidas de adaptação exigem investimento imediato, enquanto os benefícios são concretizados no longo prazo. No contexto de alguns setores, esse prazo é incompatível com o horizonte temporal adotado no processo decisório, no planejamento estratégico, e até mesmo da atuação da empresa em determinada região. Além disso, na perspectiva dos negócios os custos e receitas que apresentam resultados a curto prazo são considerados, em geral, mais relevantes que os benefícios de longo prazo.

Complexidade de articulação em torno dos projetos de adaptação

Os desafios de adaptação são complexos, pois não respeitam fronteiras geopolíticas, mercados e cadeias de valor, demandando uma ampla e complexa rede de parcerias para redução de vulnerabilidades, construção de resiliência e mesmo par a resposta a impactos.

Dificuldade em comunicar ações em adaptação e seus resultados

Desconectar a comunicação dos riscos e mensagens negativas é um desafio, a mensagem com foco no impacto pode levar à associação da imagem da empresa às perdas e, por outro lado, nas oportunidades pode ser entendida como ganhos desleais, a partir de problemas complexos enfrentados por comunidades e países.

Indisponibilidade de recursos para a atuação na agenda

Pequenas e médias empresas, muitas vezes, não dispõem de recursos necessários para contratação de estudos sobre riscos, impactos e vulnerabilidades, ou mesmo de recursos humanos para a dedicação ao planejamento e a iniciativas de adaptação.

A importância da aprendizagem organizacional

As mudanças no clima criam a necessidade, para as empresas, de se obter conhecimentos específicos e não-tradicionais, já que são marcadas por incertezas (consequências difíceis de se prever e de longo prazo) e grande complexidade. Neste sentido, o estabelecimento de um processo estruturado de aprendizagem organizacional para adaptação às mudanças climáticas se torna fundamental.
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A importância da aprendizagem para a Adaptação às Mudanças Climáticas

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Foto de Barbara carneiro/Flickr
As mudanças climáticas criam a necessidade para as empresas de se obter conhecimentos específicos e não-tradicionais, já que são marcadas por incertezas (consequências de difíceis previsões e de longo prazo) e grande
complexidade
Busch (2011)
. A necessidade de se adaptar às mudanças no ambiente é uma constante no cotidiano das empresas e vital para sua sobrevivência e competitividade, porém, ainda faltam habilidades, recursos e competências às empresas para lidarem com os eventos climáticos
extremos
Linnenluecke, Griffiths& Winn (2012)
.
Assim, é necessário que se crie um sistema que antecipe e consiga lidar adequadamente com eventos climáticos não esperados. Neste sentido, o estabelecimento de um processo estruturado de aprendizagem organizacional para adaptação às mudanças climáticas se torna fundamental.
A aprendizagem organizacional é um conceito dinâmico, que enfatiza a natureza em constante mudança das
organizações
Dodgson (1993)
e pode ser definido como o “conjunto de ações que, intencional ou não intencionalmente, influencia positivamente a mudança
organizacional
Templeton, Lewis &Snyder (2002)
”. As ações organizacionais que levam ao processo de aprendizagem podem ser descritas em quatro fases: 1) aquisição de conhecimento, 2) distribuição de informação, 3) interpretação de informação; e 4) memória organizacional, conforme mostrado na Figura 1.
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Figura 1: Processo de Aprendizagem Organizacional
Geralmente, existe uma grande dificuldade na aquisição do conhecimento e, consequentemente, nas outras fases no aprendizado organizacional diante da necessidade de adaptação às mudanças climáticas. Isso ocorre, porque, frequentemente, não existem experiências anteriores nas quais as empresas podem se basear, fazendo com que as estratégias para adaptação sejam baseadas em antecipações do futuro. Além disso, existe uma dificuldade em traduzir a informação ‘científica’, mais agregada - por exemplo, dos modelos climáticos, para informação que seja ‘utilizável’ para a tomada de decisão.
A partir de uma pesquisa desenvolvida no GVces sobre um caso de adaptação bem sucedido em uma empresa, podemos tirar algumas lições sobre a aprendizagem quanto à adaptação às mudanças climáticas:
É importante aprender com a experiência prévia na cooperação e desenvolvimento de projetos de P&D e com outras parcerias feitas pela empresa.
A observação de iniciativas de adaptação de organizações do mesmo setor e o compartilhamento de conhecimento é fundamental.
A contratação de parceiros externos para suprir a falta de conhecimento, tecnologia e recursos humanos dentro da empresa (ex: para fazer o “downscalling” dos modelos climáticos da região onde a empresa atua) pode ser necessário.
É importante distribuir as informações relacionadas à adaptação a todos os departamentos da empresa que sejam potenciais interessados, reforçando o engajamento na questão. A forma de comunicar é essencial: as opções de adaptação devem ser vistas como factíveis e efetivas e é interessante demonstrar os impactos à curto prazo das mudanças climáticas e tentar reduzir o grau de incerteza das informações transmitidas.
As informações técnicas sobre adaptação devem ser transmitidas de maneira inteligível e facilmente aplicável à tomada de decisão.
As informações dos resultados e o aprendizado devem ser armazenados. Essas informações climáticas brutas realimentam o processo de aprendizagem e podem gerar aplicações futuras úteis à empresa (por exemplo, desenvolvimento de novos produtos ou aprimoramentos de processos existentes).
Diante desse contexto, muitas vezes complexo, de adaptação às mudanças climáticas, fica em evidência a importância das empresas desenvolverem parcerias e realizarem diálogos multistakeholders como forma de construírem o aprendizado coletivamente, processo conhecido como Aprendizagem Social. Tal aprendizagem ocorre pela interação em grupos sociais por meio da simples transmissão de informações ou deliberação gerada a partir de troca de ideias e experiências. Envolve a comunicação aberta, participação de stakeholders diversos e cooperação e construção de consenso, visando à construção do conhecimento e entendimento coletivo e mudanças nas práticas de gestão. A Figura 2 traz um esquema sobre um framework conceitual de como a aprendizagem social opera. Como se pode ver, a participação das empresas na linha de trabalho sobre adaptação da EPC, caminha nesta direção.
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Figura 2: Framework Conceitual sobre Aprendizagem Social
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Ciclo e Ferramenta Empresarial para Adaptação às Mudanças Climáticas

Desde de 2014 a EPC vem desenvolvendo, em conjunto com as empresas membro, o Ciclo de Adaptação Empresarial e a Ferramenta para Estratégias Empresariais de Adaptação: instrumentos aplicáveis a qualquer empresa, independente do seu porte, setor ou região de atuação, que detalham as etapas e passos a serem seguidos para a elaboração de uma estratégia empresarial robusta de adaptação.
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Ciclo e Ferramenta Empresarial para Adaptação às Mudanças Climáticas

Desde de 2014 a EPC vem desenvolvendo, em conjunto com as empresas membro, o Ciclo de Adaptação Empresarial e a Ferramenta para Estratégias Empresariais de Adaptação. Ambos são instrumentos aplicáveis a qualquer empresa, independente do seu porte, setor ou região de atuação, e detalham as etapas e passos a serem seguidos para a elaboração de um plano de adaptação robusto, como parte de uma estratégia empresarial.
Cinco empresas pilotos iniciaram em julho de 2014 a elaboração de suas estratégias corporativas de adaptação utilizando-se da primeira versão do Ciclo e da Ferramenta da EPC, sendo elas: Braskem, CSN, Grupo CCR, Grupo Boticário, e Suzano Papel e Celulose. Já em 2015, três empresas também iniciaram seus pilotos: Copel, Grupo Amaggi e CSN, que decidiu ampliar seu escopo já iniciado. Esta aplicação na prática do Ciclo e da Ferramenta foi fundamental para o mapeamento dos principais gargalos, criação de soluções e aprimoramento dos dois materiais. Ao seguir as etapas e passos detalhados no Ciclo e preencher a Ferramenta da EPC, as empresas podem compreender melhor quais são os riscos e oportunidades materiais para seus negócios e elaborar estratégias para evitar ou reduzir os potenciais impactos negativos e alavancar os potenciais impactos positivos.

Caminhos para o desenvolvimento de uma estratégia de adaptação

O caminho através das três principais etapas do Ciclo (Figura 1) auxilia a empresa a lidar com riscos, aumentar sua resiliência, aproveitar oportunidades de mercado enquanto fortalece parcerias e desenvolve relações de cooperação com outros atores, tais como governos, empresas, comunidades, e associações setoriais, também sujeitas aos desafios das mudanças climáticas. Assim, a ação empreendida ocorre de forma sistêmica e cíclica, inserida na realidade empresarial e integrada à estratégia socioambiental adotada pela empresa.
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Figura 1 – Ciclo para a elaboração de agendas empresariais de adaptação às
mudanças do clima
O Ciclo da EPC visa apoiar as empresas na elaboração de uma estratégia em adaptação às mudanças climáticas e é dividido em três grandes etapas e nove passos:

1 - Diagnóstico

O primeiro passo é levantar elementos internos e externos à empresa e, com base nisso, mapear riscos e oportunidades climáticos. Essa etapa é subdividida em:
  • 1.1 - Ambiente interno: definir objetivo e delimitar o escopo do projeto, além de mapear e engajar as áreas da empresa para criação de um grupo multidisciplinar, que coordenará e contribuirá com a agenda empresarial de adaptação. É importante o engajamento da alta gestão e o entendimento de como alavancar as motivações e superar as barreiras para o desenvolvimento da estratégia de adaptação.
  • 1.2 Análise do clima: definir cenários climáticos que se apliquem à realidade da empresa e entender as alterações previstas nos padrões das variáveis climáticas mais importantes para o negócio. É nesse passo que são consideradas as premissas, incertezas e aderência dos cenários ao escopo e horizonte temporal adotados pela empresa e levantados os potenciais impactos futuros mais relevantes.
  • 1.3 Mapeamento e priorização de riscos e oportunidades: levantar riscos diretos e indiretos, que podem ser físicos e operacionais, regulatórios e legais, financeiros, de mercado e reputacionais. Em seguida, priorizar estes riscos e oportunidades com base, por exemplo, em probabilidade de ocorrência, magnitude das consequências e expectativa de retorno sobre investimento.

2 - Plano de adaptação

A segunda etapa é a elaboração do plano de ação para responder aos riscos e oportunidades considerados prioritários, que deve prever ações, investimentos e comunicação com colaboradores e stakeholders. Esta etapa é subdivida em:
  • 2.1. Identificação e seleção das opções de adaptação: identificar possíveis estratégias para mitigar riscos e alavancar oportunidades e priorizar ações de adaptação de acordo com diversos critérios.
  • 2.2. Elaboração do plano de adaptação: com base nas opções de adaptação priorizadas no passo anterior, definir medidas de adaptação e suas respectivas ações concretas para implementá-las.
  • 2.3. Acordos, parcerias e recursos: mapear stakeholders e entender como estes são influenciados ou podem influenciar no plano de adaptação desenvolvido e, a partir deste, estabelecer acordos e parcerias para realização das ações e levantamento dos recursos necessários para implementação.

3 - Implementação do plano de adaptação

A terceira etapa é a efetiva implementação do plano de adaptação, a qual é subdividida em três passos:
  • 3.1. Ações e monitoramento: implementar as ações de adaptação descritas no plano e monitoramento.
  • 3.2. Avaliação e ajustes: a partir do monitoramento das ações implementadas e de atualizações das informações climáticas, avaliar as medidas de adaptação implementadas e revisar o plano de adaptação.
  • 3.3. Comunicação: estabelecer canais e definir quais as principais informações e mensagens para que os colaboradores possam contribuir e compartilharos aprendizados e resultados com outras empresas, associações setoriais e públicas.
Ferramenta para estratégias empresariais de adaptação
O objetivo desta Ferramenta da EPC é dar suporte para os gestores aplicarem o Ciclo para adaptação empresarial, desenvolvido pela EPC, permitindo a adequação às especificidades de cada empresa. Cada etapa e cada passo, organizados em planilhas neste documento, são referentes às diretrizes sinalizadas no Ciclo e, portanto, devem ser preenchidos em conjunto com a sua leitura.
Esta Ferramenta foi inspirada essencialmente no conjunto de ferramentas da UKCIP, Wizard, e em conversas com o INCAE sobre a ferramenta desenvolvida pela organização: Herramienta de Identificación de Riesgos, Oportunidades y Acciones de Adaptación al Cambio Climático.

Gargalos do processo e soluções encontradas

Ao longo do desenvolvimento dos projetos pilotos, as empresas se depararam com gargalos importantes e criaram soluções criativas e efetivas, cada uma a seu modo e de acordo com sua cultura empresarial. Os aprendizados desses pilotos devem contribuir para o avanço de outras empresas neste caminho.
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Gargalos no processo e soluções encontradas

Ao longo do desenvolvimento dos projetos pilotos, as empresas se depararam com gargalos importantes e criaram soluções criativas e efetivas, cada uma a seu modo e de acordo com sua cultura empresarial. Uma primeira importante lição aprendida foi que tanto os gargalos como as soluções são comuns do processo de elaboração de estratégia de adaptação em diversas empresas de setores e portes diferentes, e que, portanto, os aprendizados desses pilotos devem contribuir para o avanço de outras empresas neste caminho.
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Foto de Ibrahim Areef/Flickr

Reconhecimento e incentivos de alta liderança

A alta gestão muitas vezes tem dificuldade de reconhecer a importância da elaboração de um plano de adaptação e optam por priorizar questões mais latentes no curto prazo. A sugestão é iniciar por um escopo que seja realmente material para a empresa. A CSN, por exemplo, optou por iniciar com um escopo focado em recursos hídricos na sua principal unidade produtiva. O toolkit de engajamento da EPC pode contribuir para esse desafio!

Envolvimento de diferentes áreas da empresa

O plano de adaptação deve ser transversal às diversas áreas da empresa e, portanto, deve ser construído e por um time multidisciplinar, aproveitando os conhecimentos e informações presente nos diversos setores da empresa. O envolvimento destas áreas terá um papel chave na efetiva implementação do Plano. O Grupo Boticário teve uma boa experiência ao promover uma oficina introdutória de sensibilização e capacitação no tema de adaptação as mudanças climáticas. A Braskem teve uma experiência semelhante, capacitando as áreas operacionais das 36 unidades abrangidas no projeto piloto. Outras soluções são: articular, compartilhar experiências e conhecimento com outras empresas do mesmo setor e vincular a elaboração da estratégia de adaptação a outro projeto que já tem a adesão de áreas relevantes, como fez a CSN que conseguiu contribuições do time que estava cuidando do tema água internamente. O toolkit de engajamento da EPC pode contribuir para esse desafio!

Articulação e engajamento das partes interessadas

Diferentemente do plano de mitigação, a adaptação ocorre em grande parte em nível territorial e as decisões do plano de adaptação dependem muito de outros atores além da própria organização, sendo necessário, portanto, trabalhar com articulação. Engajar as partes interessadas no processo de desenvolvimento e/ou implementação do Plano de Adaptação é de extrema relevância, embora, seja também, em geral, bastante complexo. A sugestão é mapear as partes interessadas e como podem contribuir, iniciando pelo levantamento das redes de stakeholders já envolvidos em outros projetos da empresa, para otimizar processos e maximizar suas contribuições. Também é interessante não envolvê-los apenas no final do processo, pois garante maior alinhamento com as diversas partes interessadas e maior probabilidade de sucesso. Tendo em vista o grande desafio que o engajamento se tornou, a EPC desenvolveu o “Kit de Ferramentas para Engajamento de stakeholders para guiar este processo.

Escolha e entendimento dos cenários climáticos

A escolha dos estudos sobre os cenários climáticos e a obtenção de dados para regiões específicas de atuação da empresa é um dos principais gargalos para pensar uma estratégia empresarial de adaptação de longo prazo. Se por um lado existem muitas publicações, sites e informações diversas sobre o futuro climático, por outro não se sabe que tipo de informação é material (quais parâmetros, qual a escala) e como obtê-las! A Braskem decidiu por ir direto à fonte e obteve com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) não somente os dados específicos necessários, mas também consulta sobre como interpretá-los no contexto de suas empresas. O Grupo Boticário e o Grupo CCR olharam em detalhe para os históricos climáticos como um primeiro passo para entender como o clima afetou as suas atividades e infraestrutura e, a partir daí, dados secundários e estudos publicados foram suficientes para extrapolar os achados para o futuro. Para a Suzano, por exemplo, foi imprescindível o envolvimento de áreas operacionais, já que lidam com os processos no dia a dia e, consequentemente, têm uma enorme contribuição para o entendimento dos impactos na empresa. Outra solução é buscar informações sobre o que outras empresas do mesmo setor mapearam como impactos climáticos para elas.

Lidando com as incertezas climáticas

A escolha de cenários e dados climáticos implica, inevitavelmente, em lidar com incertezas intrínsecas a estes. As empresas, já acostumadas a lidar com as tantas incertezas do negócio (ex.: mercado de capitais, decisões internacionais, taxa de câmbio, etc.), são capazes de assumir e registrar as incertezas climáticas e não adotá-las como justificativa para a inação. Neste gargalo, o olhar foi direcionado para a priorização de
medidas sem arrependimento
Medidas que produzam resultados positivos em muitas áreas, independentemente da efetiva materialização dos eventos climáticos modelados.
.

Uso de critérios financeiros para as análises

No ambiente empresarial são sempre requeridos os cálculos dos custos e dos benefícios de qualquer proposta, principalmente se o investimento terá retorno no longo prazo. Para usar o critério de custo dos potencias impactos climáticos versus o das medidas de adaptação durante o exercício de priorização, uma solução foi calcular as potenciais perdas futuras com base em dados históricos, como o uso dos históricos de perdas por atraso devido ao mal tempo ou por parada de produção, por exemplo, como fizeram o Grupo CCR e a Braskem, respectivamente. Uma alternativa em etapas preliminares de priorização dos impactos é classificá-los em faixas de custos dos danos potenciais, como fez a CSN. Por fim, é importante ressaltar que os custos, tanto dos potencias impactos climáticos como das medidas de adaptação, são um critério dentre outros que devem ser analisados na tomada de decisão para adaptação.

Atitude de risco da empresa

Cada indivíduo ou organização tem uma aceitação em relação à riscos, alguns mais conservadores, outros mais ousados, que se caracteriza como a atitude de risco. Para garantir que a análise dos potenciais impactos climáticos seja fiel à atitude de risco da empresa, e não de um único indivíduo, é importante coletar as percepções de risco em reuniões de grupo de diferentes áreas da empresa a respeito dos impactos potenciais. O Grupo Boticário inovou ao usar o método de múltiplos critérios para a etapa de análise de riscos, fornecendo diferentes pesos para cada critério de vulnerabilidade, de acordo com os pilares estratégicos da empresa.

Inovação nas opções de adaptação

A adaptação às mudanças climáticas, assim como os impactos que a torna necessária, deve buscar também inovar, partindo das atuais referências para a criação de soluções diferenciadas, mesmo que simples. No entanto, não é fácil pensar medidas diferentes daquelas já amplamente conhecidas e praticadas. Nesta etapa, são sugeridos exercícios de braimstorming com um time multidisciplinar para garantir a diversidade de ideias, estudo de benchmark sobre o que tem sido feito em adaptação em empresas do mesmo setor, pensar em medidas de adaptação baseada em ecossistemas
(AbE)
O uso da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos como parte de uma estratégia de adaptação completa para ajudar pessoas a se adaptarem aos efeitos adversos das mudanças climáticas. (CBD , 2009).
, ou mesmo, simplesmente pensar em "medidas brandas", como capacitação.

Definindo o plano de trabalho

Para não sobrepor esforços e recursos com outras atividades que já estejam em desenvolvimento por outras áreas da empresa, sugere-se a realização de uma pesquisa interna sobre o que outros projetos já estão fazendo, para utilizar estas atividades como alavanca para as propostas de medidas de adaptação. Além disso, não há nada de errado em começar com medidas mais simples e “já pensadas" para facilitar o processo de aprovação e implementação, como participar de fóruns de debate ao invés de criar novas estruturas. Empresas como o Grupo Boticário, Grupo CCR , Braskem, por exemplo, já incluíram essas medidas no seus plano de trabalho.

Casos das empresas que elaboraram suas estratégias de adaptação

Um grupo de empresas vêm implementando o Ciclo e a Ferramenta elaborados pela EPC para elaboração de estratégias consistentes de adaptação às mudanças climáticas: foram 5 projetos pilotos em 2014. A Suzano optou por não publicar seu caso, conheça os projetos pilotos das demais empresas.

Visão: setor empresarial e adaptação nos próximos anos

No Brasil, a dimensão territorial, as particularidades regionais e o perfil econômico do País reforçam a importância de que fundamentais estratégias e processos de adaptação sejam elaborados e implementados pelos diferentes atores. No âmbito do setor empresarial, a principal conquista para os próximos anos é que a estratégia de adaptação seja parte do planejamento estratégico e incorporada ao processo de tomada de decisão, especialmente sobre novos investimentos.
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Visão: setor empresarial e adaptação nos próximos anos

Adaptação é um tema complexo que, para se tornar uma agenda consistente, à altura dos riscos e impactos que as mudanças climáticas apresentam para os diversos países e comunidades, requer planejamento e medidas articuladas de curto, médio e longo prazos em vários níveis, do local ao global com a participação de diversos atores: governos nacionais e subnacionais, organizações da sociedade civil, comunidades e empresas.
No Brasil, a dimensão territorial, as particularidades regionais e o perfil econômico do País reforçam a importância de que fundamentais estratégias e processos de adaptação sejam elaborados e implementados pelos diferentes atores de forma colaborativa e integrada à agenda mais ampla de desenvolvimento socioeconômico. No âmbito do setor empresarial, a principal conquista para os próximos anos é que a estratégia de adaptação seja parte do planejamento estratégico e incorporada ao processo de tomada de decisão, especialmente sobre novos investimentos.
Não faltam razões para que as empresas se envolvam desde já nessa agenda. Por um lado, os riscos que as mudanças do clima apresentam aos negócios passam por desde danos aos ativos físicos e às operações, até prejuízos à infraestruturas, cadeias de suprimentos e disponibilidade de mão de obra, das quais dependem. As oportunidades também são relevantes para a competitividade dos negócios ao implicarem demandas por novos produtos e serviços, acesso a novos mercados, redução de perdas e custos e diferenciação a partir de atributos e boas práticas voltados à resiliência.
Enquanto o setor empresarial, no Brasil e no mundo, começa a acessar, compreender esses riscos e oportunidades e a planejar ações antecipatórias, esse movimento ainda concentra-se nas empresas de grande porte, de setores expostos a riscos imediatos, dependentes de recursos crescentemente escassos e de pesados ativos fixos. O movimento esperado para os próximos anos, portanto, é que essas grandes empresas, bem como os governos, passem a atuar em conjunto com as pequenas e médias que compõem suas cadeias de valor, colaborando no desenvolvimento de soluções compartilhadas para mitigação de riscos e redução de impactos negativos localmente.
Ainda, é importante que os esforços empresariais para adaptação passem a considerar também riscos não imediatos e indiretos, contemplando, além de soft measures, hard measures. A capilarização das iniciativas no País deve ser parte do avanço da agenda, já que hoje se concentram nas regiões Sul e Sudeste, menos presentes justamente nas regiões mais vulneráveis, como o Nordeste. No mais, o enfoque de oportunidades deve ser fortalecido na medida em que o tema ganhe maturidade e conecte-se às estratégias dos negócios.
Para tanto, políticas públicas propícias e coerentes são o pavimento desse caminho: marco regulatório claro e legislação e planos de governo sinalizando investimentos públicos de longo prazo em adaptação são elementos encorajadores para a atuação empresarial mais abrangente e qualificada. Outros atores, também relevantes para esse movimento, vêm se interessando e articulando em torno de riscos climáticos, como investidores e organizações da sociedade civil. Os esforços em adaptação já são tema de perguntas do questionário do ISE e do CDP; a tendência é que esses e outros instrumentos para reporte de investimentos e ações para gestão de riscos e desenvolvimento de oportunidades derivados das mudanças do clima sejam explorados e ganhem visibilidade nos próximos anos.
O setor de seguros, tem especial potencial de fortalecer a agenda ao considerar os riscos climáticos para a definição de apólices e elaboração de contratos. Além disso, as seguradoras vêm analisando e sistematizando informações sobre as mudanças do clima e seus impactos e possuem uma base de dados estratégica não apenas para o setor. Portanto, arranjos para colaboração com os demais atores podem surgir e contribuir com a superação de uma importante barreira atualmente encontrada pelas empresas: o acesso, análise e interpretação de informações a partir de cenários climáticos.
Se adaptação é uma agenda relativamente recente se comparada à de mitigação, seu avanço tem ganhado ritmo com importantes marcos, internacional e nacionalmente. No âmbito internacional destacam-se a criação de um mecanismo financeiro vinculado ao MDL em 2001, a inclusão de adaptação como um tema de negociação no longo prazo no Plano de Ação de Bali, em 2007, a criação de um arcabouço político e uma instância institucional para essa agenda em Cancun e a inclusão de adaptação no processo de negociação para o novo acordo climático, para o
pós 2020
SAE, 2014
. Mecanismos financeiros que viabilizem planos de adaptação, em especial, dos países em desenvolvimento foram alvo na COP20, em 2014, em que países de comprometeram, juntos, com 10,2 bilhões de dólares para o
Green Climate Fund
Fundo internacional que objetiva viabilizar a redução das emissões e fortalecimento da resiliência, oferecendo apoio aos países em desenvolvimento.
; a Alemanha prometeu 55 milhões de euros ao Fundo de Adaptação.
No Brasil, o Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima deve ser lançado ainda em 2015. Seu processo de elaboração envolveu a formação de um grupo de trabalho e consulta pública. Daqui em diante, sua implementação requer a coordenação por parte da instância federal e o alinhamento entre as iniciativas locais com o planejamento nacional, incluindo as estratégias empresariais de adaptação. A estruturação de um processo integrado de monitoramento e avaliação é elemento indispensável para essa trajetória já em curso de articulação dos esforços e otimização de recursos em torno de agendas locais e nacional de adaptação.

Ciclo e ferramenta de adaptação para organizações da sociedade civil

As ONGs também contam com diretrizes e uma ferramenta para incorporarem a adaptação à mudança do clima como um vetor no planejamento na sua gestão e em seus projetos.
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Adaptação à Mudança do Clima para Organizações da Sociedade Civil

O ciclo e a ferramenta de apoio à elaboração de estratégias e de plano de adaptação para organizações da sociedade civil compõem uma iniciativa do projeto Adaptação à Mudança do Clima no Brasil (versão brasileira para Economy-Wide Adaptation to Climate Change). As organizações envolvidas no projeto são o GVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da da FGV/EAESP), o MMA (Ministério do Meio Ambiente) e o UKCIP (United Kingdom Climate Impacts Programme) da Universidade de Oxford, com o apoio da Embaixada Britânica.
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Oito organizações da sociedade civil compuseram o grupo de trabalho para a elaboração do ciclo e da ferramenta de adaptação para a sociedade civil: Engajamundo, Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza, Habitat para a Humanidade Brasil, Iclei (Local Governments for Sustainability), Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), World Resources Institute e WWF.
O ciclo e a ferramenta para a sociedade civil tiveram como base conteúdo similar, desenvolvidos pela Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) do GVces e voltado ao setor privado. Disponível neste site, na área Ciclo e Ferramenta Empresarial para Adaptação às Mudanças Climáticas.
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Considerando a relevância da atuação das organizações da sociedade civil junto a comunidades e ecossistemas vulneráveis, tornou-se clara a importância de desenvolver um ciclo e uma ferramenta de apoio a essas organizações para o mapeamento e gestão de riscos climáticos que se impõem às atividades de seus projetos e programas, à sua viabilidade dessas iniciativas e aos objetivos estabelecidos.
O planejamento de estratégias de adaptação às mudanças do clima parte de uma análise detalhada da problemática, considerando os cenários climáticos, os impactos históricos em comunidades e ecossistemas locais, a identificação de riscos e oportunidades em face às mudanças do clima, as vulnerabilidades e as capacidades adaptativas das organizações da sociedade civil e as opções de adaptação e medidas adaptativas. Dessa forma, as organizações podem promover ações conscientes, planejadas e coerentes, considerando e respeitando a realidade local e fortalecendo as parcerias e relações de cooperação.
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Versões em inglês:

Referências

Confira as referências bibliográficas que serviram de base a esta publicação.
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Confira as referências bibliográficas que serviram de base a esta publicação

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Apoio e realização: Logo fgv ad9896bff9e2e2e843a42459e4b66548ca23c6555ce2c8882e857875637c19f5

Projeto piloto de Adaptação do Grupo Boticário

Riscos e oportunidades na gestão de pontos de venda (PDVs) e centrais de serviços (CSs) considerando a mudança nos padrões de precipitação.

O Grupo Boticário produz e distribui produtos de higiene pessoal, cosméticos e itens de perfumaria através de suas quatro unidades de negócios: O Boticário, Eudora, Quem disse, Berenice? E The Beauty Box. Os produtos chegam ao consumidor final por meio dos mais de 3.900 pontos de venda (PDV) em 1.750 municípios brasileiros, além da sua força de venda direta, atuante hoje em mais de 3.000 municípios brasileiros. Além disso, o Grupo também é representado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que atua pela conservação do patrimônio (e da beleza) natural.
O aumento da frequência e intensidade das chuvas em algumas regiões do Brasil, como efeito das mudanças do clima, oferecem riscos diretos e indiretos à distribuição de produtos e acesso aos diferentes públicos, especialmente aos negócios que demandam alta capilaridade. Nesse sentido, o Grupo Boticário vem dedicando esforços à compreensão dos potenciais impactos das mudanças do padrão de precipitação e à elaboração de estratégia de adaptação, com medidas ex-ante, de mitigação de riscos e desenvolvimento de oportunidades, e ex-post, para redução de perdas.
Por representarem o ponto de contato direto com o consumidor e com representantes de venda, os PDVs e centrais de serviço (CS) vulneráveis a enchentes, inundações de alagamentos são o foco do projeto piloto desenvolvido pela empresa aplicando a ferramenta de apoio à elaboração de estratégias empresariais de adaptação da Plataforma Empresas pelo Clima.

Objetivos

  • Minimizar os impactos negativos e identificar oportunidades, derivados do aumento da frequência e intensidade de chuvas, para PDVs e CSs localizados em áreas críticas, sujeitas a enchentes, inundações e alagamentos.
  • Inserir as questões ambientais como requisitos a serem avaliados na escolha dos novos PDVs e CSs, levando em consideração os cenários climáticos futuros.

Escopo

PDVs e CSs situados em áreas vulneráveis a enchentes, inundações e alagamentos nos estados de São Paulo (SP), Santa Catarina (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Minas Gerais (MG), com horizonte temporal de 2050.

Riscos e Oportunidades Climáticas

Considerando as mudanças previstas, a partir de base histórica e de cenários futuros, no padrão de precipitação para as próximas décadas, identificou-se o aumento da probabilidade de eventos extremos de precipitação e consequentes inundações. Assim, o Grupo Boticário mapeou como principais riscos para os PDVs e CSs considerados no projeto piloto:
  • problemas estruturais nas lojas;
  • avaria de produtos; e
  • impossibilidade de funcionamento por falta de condições adequadas.
Os impactos derivados desses três riscos são de ordem operacional e financeira: a partir da entrada de água nos PDVs e CSs a estrutura física e os produtos são danificados, gerando perdas e o fechamento temporário dos estabelecimentos. Riscos mercadológicos também foram identificados pela empresa, como a redução do movimento de pessoas no entorno das lojas e a consequente queda nas vendas.
A partir do mesmo fenômeno climático foram identificadas também oportunidades, entre as quais se destacam:
  • Intensificação de outros formatos de comercialização (por exemplo: venda direta) nas regiões mais vulneráveis;
  • Pesquisa de novos produtos adequados ao cenário climático; e
  • Realização de campanhas e programas voltados às mudanças climáticas e meio ambiente envolvendo os clientes, vendedores e proprietários das lojas.
As duas primeiras são de ordem financeira e mercadológica, com potencial de gerar ganhos de penetração e fluxo de caixa, enquanto a última oportunidade volta-se ao ganho reputacional.
Além dos três principais riscos aqui mencionados, outros cinco foram priorizados e levados ao plano de adaptação, etapa em que foram definidas as ações de adaptação, metas e indicadores para mitigação e/ou resposta a cada um deles.

Motivações e Desafios

Uma série de motivações levou o Grupo Boticário a trabalhar no piloto de uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas. Entre elas destacam-se:
  • o histórico de impactos de eventos climáticos aos PDVs e CSs;
  • a sinergia dessa iniciativa com estratégia de sustentabilidade e com a visão da empresa (“ser reconhecido pelo meio empresarial como um grupo que realiza mais”);
  • a diretriz de que todos PDVs se tornem expressão objetiva e subjetiva da sustentabilidade do negócio; e
  • o reconhecimento e incentivo da alta gestão.
Diferentes desafios foram enfrentados ao longo do projeto, de caráter técnico e informacional, gerencial e de engajamento. Ainda não totalmente solucionados, estão sendo trabalhados pela empresa e alguns seguirão presentes ao longo da implementação do plano de ação.
  • Depois de engajar equipes de diferentes áreas, mantê-las engajadas durante todo o processo foi desafiador: como cada área tem sua rotina e suas metas, é necessário o contato frequente da equipe do projeto, por meio de encontros, reuniões e e-mails, para que o tema não seja esquecido.
  • A junção da dificuldade de acesso informações climáticas para as localidades dos PDVs e CSs, as incertezas inerentes aos cenários e a falta de profissionais especializados em mudanças do clima implica dificuldade no levantamento de potenciais riscos e oportunidades.
  • A ferramenta utilizada pela empresa na escolha de locais para abertura de lojas leva em consideração questões mercadológicas e financeiras, porém não considera a intensidade pluviométrica da região. A combinação dos dois grupos de informação, para análise, é fundamental, mas não é trivial.
  • Falta de dados referentes a questões de custos e investimentos históricos em PDV´s e CS´s já impactados por eventos climáticos anteriormente.
  • A articulação com outros stakeholders não mapeados na etapa de planejamento é indispensável à implementação de algumas ações que compõem o plano de adaptação, o que aumenta o nível de complexidade e reduz o de ingerência da empresa sobre o projeto.
  • Resultados intermediários

    Um dos mais importantes resultados já alcançados pelo Grupo Boticário na elaboração de sua estratégia de adaptação é o que a princípio foi entendido como desafio: a composição de uma equipe multidisciplinar para contribuir ao longo de todo o processo. Colaboradores de diferentes áreas compuseram o grupo de trabalho: Segurança do trabalho e Meio Ambiente (STMA), Sustentabilidade, Geoprocessamento, Gestão de Riscos, Transporte, Administração Comercial, Vendas e Operações, Inteligência de Rede e Engenharia. Com destaque para a participação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
    Além do envolvimento da equipe técnica e operacional, os coordenadores e gerentes dessas áreas acompanharam o projeto por meio de comunicação frequente a respeito de seu andamento.
    Outro importante resultado intermediário é a participação da área Comercial e de Vendas por meio de alguns representantes, que passaram a ter contato com as áreas de STMA e de Sustentabilidade e trocar experiências e soluções.
    Ainda, opções de adaptação, que não haviam sido levantadas pela empresa, foram identificadas a partir da troca de experiências com outras empresas membro da Plataforma Empresas pelo Clima (EPC). Um exemplo é o “uso de tecnologia de alerta prévio de risco a enchentes (ações de monitoramento em tempo real dos índices pluviométricos e da previsão meteorológica) e aviso aos possíveis impactados”.

    Lições Aprendidas

    Dois conhecimentos adquiridos pelo Grupo Boticário referem-se ao processo de planejamento em adaptação e outra à relevância da agenda de adaptação às mudanças do clima para o negócio:
  • o aprendizado de que o envolvimento de diferentes áreas, especialmente a de Gestão de Riscos, é essencial para o diagnóstico e elaboração do plano de ação ser consolidado na empresa;
  • a compreensão de que a ordem dos passos para elaboração do plano de ação é importante para a qualidade do produto final e a percepção da tendência de se pensar direto na solução, principalmente nas que já estão em implementação em outros projetos, inibindo ideias inovadoras; e
  • o entendimento de que o método e a ferramenta aplicados no piloto são válidos também para outros escopos de atuação da empresa, como plantas industriais, desenvolvimento de produtos e logística, e de que isso reflete o quanto o tema é relevante e material para o negócio.
  • Próximos Passos

    • Revisão dos stakeholders a serem envolvidos na implementação do plano de adaptação e elaboração da estratégia de articulação com esse grupo.
    • Apresentação e aprovação da alta liderança após a obtenção e sistematização dos primeiros resultados do plano de adaptação.
    • Expansão do projeto piloto para outros PDVs e unidades de negócio e articulação da estratégia de adaptação com a de mitigação do Grupo.
    • Inserção de critérios ambientais na análise para definição de novos PDVs e CSs, levando em consideração os cenários climáticos futuros.

    Projeto piloto de apatação da Braskem

    Adaptação como componente estratégico para a competitividade empresarial

    A Braskem, empresa do setor químico e petroquímico, atua na produção de resinas termoplásticas nas Américas. São 36 suas unidades industriais, 29 no Brasil, cinco nos Estados Unidos e duas na Alemanha. Por meio de sua cadeia de distribuição, seus produtos suprem com matérias-primas os setores automotivos, construção civil, saúde, alimentos e bens de consumo em geral.
    Um dos pilares de diferenciação competitiva da Braskem é sua estratégia de sustentabilidade composta por três pilares: operações e recursos mais sustentáveis, produtos cada vez mais sustentáveis e soluções para uma vida sustentável.
    Assumindo a gestão de riscos e oportunidades derivados das mudanças climáticas como um componente a ser inserido na estratégia de sustentabilidade, a fim de manter e fortalecer a competitividade do negócio, a Braskem iniciou em 2014 a elaboração de um plano de adaptação considerando suas 36 plantas. O projeto encontra-se em sua última etapa de sistematização das ações prioritárias de adaptação.

    Objetivos

    Mitigar riscos e explorar oportunidades decorrentes das mudanças de padrões e eventos climáticos para a produção nas 36 plantas industriais e sistematizar e incorporar as variáveis climáticas no planejamento e gestão de riscos da Braskem.

    Escopo

    Identificar e priorizar potenciais oportunidades e riscos físicos, regulatórios, reputacionais e na cadeia de valor para as plantas da Braskem no Brasil, Estados Unidos e Alemanha no horizonte temporal de 2040.
    Justificativa: A Braskem atualizou sua matriz de materialidade em 2013, e o tema mudanças climáticas foi ratificado como um dos mais relevantes. Com os recentes relatórios do IPCC, e com as potenciais oportunidades para os produtos de baixo carbono para os cenários futuros, a Braskem decidiu ampliar o plano de ação para todas suas plantas, considerando mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

    Riscos e Oportunidades Climáticas

    Físicos
    O principal risco físico identificado para as plantas localizadas no Brasil está associado à maior frequência de secas severas. Este evento climático extremo pode gerar diversos impactos potenciais, no entanto, os que podem trazer maiores consequências são escassez hídrica e redução da geração de energia elétrica. Uma das medidas de adaptação identificadas refere-se à adoção de projetos de reuso de água, alternativa esta que já está em andamento na Braskem. A Braskem tem iniciativas de projetos de reuso de água nas regiões do ABC, em São Paulo e na Bahia.
    Para os Estados Unidos, nas regiões que a empresa tem operações, o maior risco físico identificado está associado ao provável aumento da intensidade de furacões, que têm potencial, principalmente, de atingir a região do Estado do Texas. Para a Alemanha, o maior risco físico identificado está associado a provável mudança no padrão de precipitação, o que pode causar inundações nas regiões próximas das operações.
    Regulatórios
    No campo regulatório os riscos mais prioritários estão associados à possibilidade de precificação de carbono, à existência de regulamentação com relação ao uso da água e à definição de metas nacionais. Assim como esses cenários estão associados aos maiores riscos, também são eles que potencializam as maiores oportunidades, destacando-se o desenvolvimento de novos produtos com menor pegada ambiental, e também produtos que reduzam esse impacto na fase de uso, dentre outros.
    Reputacionais e da Cadeia de Valor
    Além das oportunidades e riscos dos aspectos físicos e regulatórios, foram analisados também os riscos reputacionais e os riscos associados à continuidade da cadeia. Os principais riscos associados aos fornecedores estão relacionados à possibilidade de criação de legislação quanto a emissões de gases de efeito estufa e de uso de água, podendo impactar nas operações e nos custos. Nas oportunidades merecem destaque as ações de engajamento, especialmente, no compartilhamento de informações e ações, principalmente, junto com nossos fornecedores e clientes.
    As medidas de adaptação sugeridas para gestão dos riscos estão associadas a projetos de engenharia, engajamento com instituições do Governo, empresas e outras entidades, campanhas de conscientização e outras. As recomendações sugeridas para maximizar as oportunidades climáticas estão associadas a projetos de engenharia, ações de engajamento e, principalmente, Pesquisa e Desenvolvimento. O desenvolvimento de um portfólio de novos produtos potencializa as oportunidades climáticas, tanto no campo do risco físico, quanto regulatório.

    Motivações e Desafios

    As principais motivações para o desenvolvimento do projeto foram:
    • A noção de que perdas significativas poderiam ser reduzidas ou evitadas;
    • O entendimento de que, dado que as mudanças climáticas estão em curso, à estratégia de sustentabilidade da empresa precisaria conter essa frente de atuação; e
    • O interesse em ser reconhecida como líder do setor nessa agenda, considerando que adaptação ainda é um tema de fronteira para as empresas em geral.
    Entre os desafios enfrentados, destacam-se:
    • Engajar a liderança e as equipes de diversas áreas no processo, combinando as agendas individuais ao cronograma do projeto;
    • Identificar outros atores que possuem informações importantes para o processo, obter os dados e interpretá-los no tempo adequado;
    • Pensar e planejar no longo prazo;
    • Especificamente em relação aos cenários climáticos, obter informações com a escala e horizonte temporal necessários; e
    • Conectar as informações e análises com a tomada de decisão do negócio, isso é, incorporá-las aos processos gerenciais, pois dessa forma estaremos integrando o gerenciamento de oportunidades e riscos climáticos ao gerenciamento de riscos do negócio.

    Resultados intermediários

    Os resultados já alcançados pela Braskem podem ser agrupados em cinco frentes: engajamento interno, articulação externa, obtenção e interpretação de informação e ampliação da gestão de riscos da empresa.
    • Diversas áreas foram envolvidas no processo de elaboração do plano de adaptação, como as de produção e processos, desde o levantamento de informação até a identificação de possíveis medidas adaptativas. Para isso foram fundamentais:
      • o treinamento oferecido em mais de uma etapa do processo para aproximadamente 800 líderes da empresa, sobre a estratégia de Desenvolvimento Sustentável, e reforço ao macro objetivo Mudanças climáticas.
      • o treinamento sobre gerenciamento de riscos climáticos com o objetivo de integrar ao gerenciamento empresarial.
      • o reuniões com técnicos para apresentar a relevância do projeto e as relações com suas atividades diárias e planejamentos.
    • Articulação com atores indispensáveis à consistência do projeto:
      • INPE: aportou informações a partir de cenários climáticos gerados com o recorte geográfico (microrregiões) e horizonte temporal requeridos para o plano contendo as plantas no Brasil;
      • Instâncias governamentais: contribuíram com informações sobre contexto e perspectivas socioeconômicas;
      • Consultorias técnicas: ofereceram o suporte para obtenção e análise de dados; e
      • Academia: suporte com método e instrumento para a elaboração do plano de adaptação.
    • Ampliação do processo de gestão de riscos, incluindo a partir do piloto, variáveis climáticas. Para isso foi importante a identificação de medidas de adaptação que já faziam parte do planejamento da empresa, mas ainda não tinham considerado seu potencial de reduzir vulnerabilidade em relação a eventos climáticos. Assim como, por outro lado, de medidas propostas no plano de adaptação que contribuirão para outros objetivos da empresa.
    • Medida de adaptação em curso: reuso de água como ação para mitigação do risco climático nas regiões de potencial stress hídrico (impacto positivo sócio ambiental) - O Projeto Aquapolo foi criado em 2010 pela Odebrecht Ambiental e Sabesp, representando um investimento de R$ 364 milhões, inclui uma estação de produção de água de reuso para fins industriais, uma adutora (grande tubulação) de 17 km e 3,6 km de redes de distribuição. A água de reuso industrial é produzida a partir do esgoto tratado. Esse efluente, que seria devolvido à natureza dentro das condições exigidas pela legislação, passa por um novo tratamento, complementar, com tecnologia de ponta, que inclui membranas de ultrafiltração e osmose reversa. A implantação do projeto foi viabilizada pela Braskem, que consome 65% da capacidade do Aquapolo, o que equivale a 650 litros por segundo. O fornecimento para a indústria está garantido por 41 anos. No ABC o índice de reuso chega a 97%. 500 mil pessoas poderão ser atendidas com a água potável, que deixará de ser utilizada nos processos produtivos industriais.

    Lições Aprendidas

    • Engajamento dos colaboradores de diferentes áreas: foi aprendido que a adesão é mais provável quando a conexão do tema e do projeto com a estratégia do negócio é evidenciada. Ainda, que ações de sensibilização e capacitação têm um forte poder de engajamento por propiciarem que resistências e barreiras (como o desconhecimento em relação a termos técnicos) sejam superadas.
    • Importância do envolvimento das áreas operacionais: foi aprendido também que a partir do envolvimento das áreas operacionais obtêm-se informações mais precisas e qualificadas sobre o histórico de eventos climáticos e seus impactos; informações estas essenciais para a projeção dos possíveis impactos futuros.
    • Integração dos riscos e oportunidades climáticas na gestão de riscos: foi entendimento que a composição dos riscos e oportunidades identificados no processo de elaboração do plano de adaptação devem ser integrados à matriz geral de riscos da empresa.
    • Diferenças das estratégias de mitigação e adaptação: considerando o ambiente externo à organização, a Braskem compreendeu que, diferente do que acontece com a estratégia de mitigação, quando se trata de adaptação, as ações dependem da colaboração com outros atores, requerendo o trabalho coletivo, desde a obtenção de dados até a implementação e monitoramento. Um bom exemplo disso é a iniciativa para redução das perdas de água na distribuição, em regiões com potencial stress hídrico.

    Próximos Passos

    • Validar o plano de adaptação com as plantas industriais e envolvidos, e integrá-lo ao planejamento das unidades.
    • Ampliação do processo de gestão de riscos dos negócios nos diferentes países em que a Braskem está presente, incluindo variáveis climáticas.
    • Incorporar o tema às outras áreas da empresa, visando influenciar o planejamento estratégico 2016 a 2020, para que também passe a considerar o plano de adaptação às mudanças climáticas.

    Projeto piloto de apatação do Grupo CCR

    Gestão de riscos e oportunidades das mudanças climáticas nas concessionárias CCR Barcas e CCR Via Lagos

    O Grupo CCR é uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura no mundo, com atuação nos seguimento de concessão de rodovias, mobilidade urbana e serviços. Hácerca de 16 anos no mercado, a empresa é responsável atualmente por 3.284 quilômetros de rodovias da malha nacional, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de estar presente no setor de transporte de passageiros (metrô, barca) e no setor aeroportuário.A temática mudanças climáticas e a gestão das emissões de gases de efeito estufa ( GEE) foi incorporada na gestão empresarial do Grupo desde 2011.
    Esta iniciativa contempla o compromisso com a sustentabilidade, que compõe um dos objetivos gerais e diretrizes incorporados pelo Grupo, o qual decidiu adotar uma solida estratégia de sustentabilidade de longo prazo.
    Acompanhando a evolução da maturidade do processo de gestão de emissões corporativas, ao longo de 2014 o Grupo desenvolveu diversas ações relacionadas à mitigação de risco, buscas de oportunidades e adaptação à uma economia de baixo carbono. Do ponto de vista do aproveitamento de oportunidades a empresa investiu fortemente em concessões de transporte coletivo de passageiros, negócios que serão muito favorecidos em economias de baixo carbono.
    Para fortalecer este processo, sua Política Corporativa de Mudanças Climáticas foi revisada com o objetivo de acompanhar o avanço do Grupo CCR no tema. As novas diretrizes contempladas na Politica buscou incluir fatores relevantes na agenda internacional de discussão sobre mudanças climáticas, como por exemplo, a implementação de diretrizes de mitigação e compensação de emissões, a inclusão da análise de riscos climáticos nos investimentos em cursos e novos negócios, e a previsão de elaboração de plano corporativo de adaptação às mudanças climáticas, uma vez que as mudanças climáticas podem implicar em alterações nos padrões de precipitação e de ventos, além do aumento do nível do mar, potencialmente impactando não somente as infraestruturas existentes,mas também requerendo a adequação das planejadas.
    Neste contexto, o desenvolvimento de um projeto piloto para elaboração de estratégia de adaptação foi entendido como oportunidade para que este tema fosse de fato inserido na agenda de trabalho do Grupo CCR.

    Objetivo

    Reduzir os custos operacionais devido a impactos provenientes de possíveis eventos climáticos, além de identificar oportunidades novos negócios.

    Escopo

    Concessionárias CCR Barcas (transporte de passageiros por barcas) e CCR Via Lagos (rodovia), ambas localizadas no estado do Rio de Janeiro, com o horizonte temporal a curto,médio e longo prazo.
    A definição de um escopo restrito contemplando apenas os negócios do Grupo localizados no estado do Rio de janeiro se deu devido a constatação de que estes negócios estão localizados em áreas potencialmente críticas e com elevado risco de sofrerem fortes impactos decorrentes das mudanças climáticas, bem como grande disponibilidade de informações acadêmicas e cientificas sobre os impactos geográficos para diferentes cenários de comportamento do clima e nível dos oceanos.

    Riscos e Oportunidades Climáticas

    A partir do levantamento detalhado do histórico de dados climáticos para as localidades do escopo (municípios abrangidos pelo traçado da rodovia e pela rota das embarcações ) e informações relativas à vulnerabilidade dos municípios do estado do Rio de Janeiro frente às mudanças climáticas, tornou- se possível avaliar e identificar prováveis eventos climáticos que poderão afetar os negócios do Grupo presente nas respectivas áreas críticas.
    Mediante análise das projeções climáticas para as mesmas localidades foi possível verificar que ambas Concessionárias estarão sobre forte influência direta de potenciais eventos climáticos e sociais que poderão resultar em riscos operacionais- como interrupção de rotas rodoviárias e paralisação e/ou atrasos do sistema de transporte marítimo- e alterações nos negócios- mudanças esperadas na matriz de demanda, ocupação do solo e migração de núcleos sociais. Diante do exposto verificou-se a necessidade de elaboração de estratégias de adaptação para garantir a perpeituidade e sucesso dos negócios do Grupo CCR nestas regiões de atuação.
    Os riscos e oportunidades mais relevantes encontrados ao longo do estudo foram de ordem:
    • Operacional: como o aumento da área de risco de escorregamentos, enchentes e inundações, ocasionando prejuízos estruturais e operacionais para a Companhia. Dificuldade de operação e possível paralisação momentânea das operações;
    • Financeira: como o aumento no preço da energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), aumento de preços de diversos serviços ligados a ceida de suprimentos ao negócio e o aumento nos custos de seguros devido a definição de apólices em niveis compatíveis com os novos riscos que os bens e patrimônios serão expostos;
    • Regulatória: como a criação de taxas ambientais sobre a emissão de gases efeito estufa ou alterações significativas no processo de licenciamento ambiental, o qual poderá contar com exigências e condicionantes mais severas por incluírem a problemática das mudanças climáticas em uma análise sinérgica de impactos ambientais. O processo burocrático para viabilização de projetos ligados à companhia poderá dispender de um tempo maior para obtenção das respectivas licenças ambientais.
    Em relação a este último ponto, o Grupo CCR levantou como oportunidade participar e apoiar o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas públicas sobre desastres naturais e gestão de risco costeiro, além de se antecipar a tais exigências, trazendo uma vantagem competitiva para o negócio. Outra oportunidade identificada pelo resultado do estudo foi o direcionamento de investimentos internos da companhia para elaboração de estudos de viabilidade energética e consequente implementação de formas de energias mais limpas.

    Motivações e Desafios

    O piloto de elaboração de estratégia de adaptação foi motivado principalmente pela constatação do aumento no número de projetos de engenharia para manutenção e preservação do patrimônio, resultado de danos e prejuízos devido a eventos climáticos, como precipitações intensas em curto intervalo de tempo. Ainda, o Grupo CCR entende a sustentabilidade, e a adaptação às mudanças do clima, como vertentes estratégicas para os negócios.
    É desafiador, no entanto, demonstrar a necessidade de internalização dos processo de análise de riscos climáticos e obter o reconhecimento sobre a importância da implementação de estratégias de adaptação, principalmente em relação à alta gestão, uma vez alguns impactos das mudanças climáticas são projetados para períodos após o término da concessão. Ainda, é um desafio técnico obter informações de projeções climáticas e interpretá-las no contexto local e dos negócios.

    Resultados Intermediários

    Embora o Grupo CCR já trabalhe a problemática das mudanças climáticas desde 2011, entende-se como principal resultado desse processo até o momento o início da internalização do processo de análise de riscos climáticos.
    Isto foi possível devido, principalmente, a capacitação da área de sustentabilidade no tema e o engajamento das diversas áreas na coleta e interpretação de dados e levantamento de opções de adaptação. As seguintes áreas contribuíram para este piloto:
    • Meio Ambiente /Engelog- Centro de Engenharia do Grupo: área responsável pela condução e administração de processos de licenciamento ambiental de todos os negócios do grupo;e
    • Sustentabilidade/Actua: responsável pela condução e administração de processos de sustentabilidade do Grupo.
    • Concessionaria CCR Barcas: fornecimento de dados e informações para elaboração do projeto piloto.
    • Concessionaria CCR ViaLagos: fornecimento de dados e informações para elaboração do projeto piloto.

    Lições Aprendidas

    Os principais aprendizados foram:
    • A importância de se promover uma gestão eficiente de riscos climáticos em uma corporação;e
    • Anecessidade de engajar diferentes áreas da empresa para a obtenção e análise das informações climáticas e do próprio negócio (como histórico de custos e investimentos planejados).

    Próximos Passos

    Após a implementação deste projeto piloto para as concessionárias CCR Barcas e Via Lagos, o próximo passo é replicar o processo para as demais unidades do Grupo, também como piloto, com o objetivo final de produzir um Plano de Adaptação as Mudanças Climáticas CorporativoPara isto, a internalização deve acontecer gradualmente a partir do reconhecimento de que a introdução das mudanças climáticas na gestão de riscos e planejamento estratégico é relevante para os negócios do Grupo CCR.

    Projeto piloto de adaptação da Companhia Siderurgica Nacional (CSN)

    Riscos e oportunidades, derivados das mudanças climáticas, em relação ao uso de recursos hídricos na Usina Presidente Vargas (UPV), RJ

    A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) atua em todas as etapas produtivas do aço sendo, uma das maiores empresas do setor no Brasil. Tendo em vista que a produção de aço é uma atividade industrial que demanda uma grande utilização de água, a CSN tem o importante desafio de pensar sua gestão de recursos hídricos de forma harmônica com os demais usos de água, como abastecimento público, agricultura, lazer, navegação e produção de energia.
    As diversas pressões sobre os recursos hídricos tendem a ser agravadas pelas mudanças climáticas, desafiando ainda mais o atendimento das necessidades das comunidades em crescimento, ecossistemas sensíveis, agricultores, pecuaristas, produtores de energia e unidades produtivas.
    Neste contexto, a CSN pretende avaliar e desenvolver uma estratégia de adaptação para estar preparada para gerenciar os riscos e oportunidades advindos das mudanças climáticas associados ao uso de recursos hídricos, considerando os demais usos da Bacia do Rio Paraíba do Sul.

    Objetivo

    Avaliar os impactos das mudanças climáticas associados aos recursos hídricos e elaborar um plano de adaptação para gerenciá-los, minimizando os riscos e maximizando as oportunidades.

    Escopo

    Usina Siderúrgica Presidente Vargas (UPV) localizada em Volta Redonda, RJ, considerando o horizonte temporal de 2040.

    Riscos e Oportunidades Climáticas

    Modelos climáticos indicam que nas próximas décadas deve haver mudanças nos padrões de precipitação, aumentando tanto o risco de secas como de precipitações extremas, dependendo principalmente da época do ano. Concomitantemente, haverá o aumento de demanda de água para abastecimento público, que é uso prioritário. Neste cenário, foram levantados riscos operacionais, reputacionais, na cadeia de valor, e principalmente financeiros.
    A oportunidade prioritária identificada foi a redução do consumo de água e aumento da taxa de recirculação – que atualmente é de 92% – por meio da implementação de melhorias tecnológicas. Vale mencionar que a CSN já desenvolve diversas ações para melhorar a gestão da água e efluentes – medição, tratamento, reuso, recirculação e redução de consumo - podendo elevar a taxa de recirculação de água para mais de 95% após a implantação dos seguintes projetos de reuso de água: no Carboquímico (3.500m3/h); na Estação de Tratamento de Efluentes do Pátio de Matérias Primas (300m3/h); nos Trocadores de calor da Estação de Tratamento Biológico (300m3/h); e na Casa de Bomba de Recirculação 1 (890m3/h).
    Outra oportunidade levantada foi a possibilidade de negociar melhores taxas de seguro da planta industrial, tendo em vista o aumento da resiliência da CSN como consequência do plano de adaptação, além de se antecipar e se preparar para as situações de risco como secas e inundações.
    Um dos riscos apontados pelo trabalho, gerenciado pela operação da UPV por meio de comitê interno específico, é de parada parcial de algumas unidades da Usina em função da interrupção de captação da água do Rio Paraíba do Sul, seja pela falta de água, seja por outras impossibilidades diversas.
    O Rio Paraíba do Sul é uma fonte de água abundante. No entanto, 75% de sua disponibilidade está comprometida no nível de bacia e esse percentual deve alcançar um valor de 95% em 2030, segundo o INEA. Assim pode-se projetar que esforços para redução de captação e consumo serão exigidos em breve, seja por imposição de exigências legais ou devido ao aumento nos valores de cobrança da água.
    Atenta à vulnerabilidade hídrica da bacia fluminense, a CSN participa da Câmara Técnica Consultiva do Comitê de Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba Sul (CBH-MPS) e do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP), em ambos representando o setor usuário.

    Motivações e Desafios

    A principal motivação da CSN para iniciar a elaboração de sua estratégia de adaptação foi buscar reduzir a vulnerabilidade e identificar ações estratégicas para minimizar impactos negativos na operação da UPV em virtude de mudanças extremas de padrões de precipitação. Ainda, tendo em vista a geração de energia nas duas usinas hidrelétricas em que a CSN possui participação, considerou-se importante entender também como essas potenciais mudanças podem afetar a produção destas unidades, bem como suas consequências para a matriz energética da Companhia.
    No entanto, iniciar a construção de um planejamento de longo prazo, considerando as incertezas inerentes às projeções climáticas com recorte local no Brasil, é um desafio complexo. Assim, a identificação de cenários climáticos, seleção de dados climáticos úteis e a sua interpretação como potenciais impactos na operação da UPV foi um grande desafio no processo de elaboração do plano de adaptação.
    Ainda, o levantamento de grande quantidade de informações, como estimativa dos custos dos impactos das mudanças climáticas e das medidas de adaptação mostrou-se complexo em função do grande número de departamentos envolvidos. Por outro lado, motivou a interação entre as áreas de sustentabilidade, meio ambiente e operacional da UPV.

    Resultados Intermediários

    O principal resultado obtido até o momento foi a identificação das medidas de adaptação que comporão o plano de adaptação, a partir da integração das informações pulverizadas nas diversas unidades operacionais da UPV e de projetos que podem colaborar para o aumento da resiliência da UPV frente às mudanças climáticas. Assim, a estratégia de adaptação não será necessariamente composta por uma série de novos projetos, mas principalmente, pela inserção da variável climática nos novos projetos e no monitoramento dos projetos em andamento.
    Por fim, o projeto piloto de adaptação contribuiu para a análise de desempenho ambiental da operação da UPV.

    Lições Aprendidas

    A principal lição aprendida refere-se à importância e ao nível de engajamento dos colaboradores da CSN necessário em diferentes etapas do projeto para o desenvolvimento de uma estratégia consistente de adaptação às mudanças climáticas. Foi compreendida a necessidade eminente de integração das áreas que detém as informações para a elaboração do diagnóstico interno e avaliação dos potenciais riscos e oportunidades, necessários à elaboração do plano de adaptação. A troca de informações dos vários projetos relacionados ao tema ajudou a trazer uma visão holística sobre a gestão de recursos hídricos da UPV, que só foi possível por meio da formação de uma equipe multiáreas.

    Próximos Passos

    Este piloto foi um projeto de preparação e entendimento do método pela equipe da UPV, para que a estratégia de adaptação às mudanças climáticas comece a ser trabalhada de forma sistêmica na CSN. O reconhecimento da importância da elaboração do plano de adaptação traz como próximos passos a apresentação dos resultados para a alta gestão, a disseminação dos resultados entre áreas de sustentabilidade, meio ambiente e operacional da CSN e outros atores estratégicos, além da ampliação da abrangência do plano, englobando o escopo de energia.